O que é a Transcrição?
A transcrição é a conversão de conteúdos orais em texto escrito, mantendo a integridade do discurso original. Conforme destacou French (1991), “nunca se deve incluir algo que não esteja presente no discurso oral e deve-se incluir tudo o que nele esteja presente.” Esse processo de transposição para a forma escrita levanta várias questões, especialmente em relação a quais elementos registar e quais omitir, dado que, mesmo na transcrição fonética mais rigorosa, é impossível capturar todos os aspetos do diálogo presencial.
A escrita carece dos elementos intrínsecos à comunicação oral, como entoação, expressão facial, gestos e outros sinais pragmáticos compartilhados durante a interação verbal. Este facto torna a transcrição um desafio significativo, pois nem mesmo a audição repetida do áudio permite reproduzir a experiência completa da interação presencial. Diversos fatores influenciam a transcrição, incluindo a qualidade do áudio, interferências e sobreposições de falas.
É um equívoco pensar que qualquer pessoa pode transcrever, ou que a transcrição pode ser encarada como um hobby simples. Quantas vezes vemos confusões nesse processo? Um transcritor precisa ter um sólido conhecimento de ortografia, gramática, sintaxe e habilidade no discurso escrito. Além disso, deve dominar a língua falada para compreender plenamente o enunciado a ser transcrito.
Para os profissionais da transcrição jurídica, é essencial conhecer a terminologia específica do campo jurídico, garantindo que o produto final atenda aos altos padrões exigidos pelos diversos atores do Sistema de Justiça.
A literatura sobre transcrição como método de registo de dados ainda é limitada. Halcomb & Davidson (2006) observam que “há uma escassez de literatura sobre o processo de transcrição de gravações de entrevistas, apesar do crescimento no uso de entrevistas como método de coleta de dados.”
Embora existam normas, como destacou Da Costa (1977), “em Portugal nota-se, talvez mais do que na maior parte dos outros países europeus, uma grande divergência nos critérios usados na transcrição (…) tanto por parte de particulares como até de instituições científicas.”
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